quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Estrutura e suporte familiar como fatores de risco na depressão de adolescentes


Makilim Nunes BaptistaI, II, III, *; Adriana Said Daher BaptistaII, III, **; Rosana Righetto DiasII, IV***
I Universidades Braz Cubas
IIUniararas
III Universidade Federal de São Paulo
IV Universidade Estadual de Campinas



RESUMO
A depressão pode ser considerada atualmente um dos principais transtornos de nossa época. Quando se pergunta como um indivíduo desenvolve a depressão, não se pode pensar em uma causa específica, pois como a maioria dos problemas humanos, é mais adequado falar em multifatores que se interrelacionam e geram, como respostas, alguns comportamentos que o indivíduo apresenta em seu meio. Sabe-se que a depressão pode ser influenciada, na sua etiologia e manutenção, por fatores biológicos/genéticos, psicológicos e sociais, dentro dos quais este artigo abordará, mais especificamente, os aspectos sociais, principalmente as influências na relação entre o suporte familiar e a depressão na adolescência. Desta forma, o clínico deve estar atento para todas, senão grande parte destas variáveis, com o objetivo de desenvolver um diagnóstico mais objetivo e preciso, além de realizar uma intervenção de ampla magnitude.
Palavras-chave: Depressão, Adolescência, Suporte familiar.

ABSTRACT
Depressive Disorders could be consider the most important disorder at this time. But depression could not be viewed only in a simple way, because several variables are important to develop and maintenance this state. Depressive symptoms could be causing by biological, genetics, social and psychological factors. This article will aboard specifically the relation between family aspects and adolescent depression. Then, the clinician must pay attention to all variables to develop correct diagnostics and intervention with adolescents and families.
Keywords: Depression, Adolescence, Family support.



A depressão na infância e adolescência começou a ser mais estudada a partir da década de 60, porém não se pode afirmar que este transtorno não ocorresse na população antes disto. Até então, uma das discussões sobre a depressão infantil girava em torno da real possibilidade de crianças e adolescentes possuírem este quadro. Hoje em dia, com o desenvolvimento de estudos e pesquisas sobre transtornos de humor em crianças e adolescentes, não há mais dúvida de que a depressão atinge esta faixa etária, além de adultos e mesmo uma parcela razoável da população considerada de terceira idade (Kashani, Husain, Shekim, Hodges, Cytryn e Mcknew, 1981).
Os transtornos do humor constituem um grupo de condições clínicas caracterizadas pela perda do senso de controle e uma experiência subjetiva de grande sofrimento, podendo-se observar perda de energia e interesse; humor deprimido; diminuição do desejo em realizar tarefas que antes causavam prazer (anedonia); problemas relacionados ao sono; perda de energia ou fadiga constante; dificuldade de concentração e diminuição na habilidade de pensar, além de dificuldades em tomar decisões; perda de apetite; baixa auto-estima; sentimentos de inutilidade ou culpa e pensamentos sobre morte e suicídio. Todas esses sintomas acabam por comprometer a vida social, profissional e interpessoal do indivíduo (APA, 1994; Kaplan e Sadock, 1993).
A depressão pode estar relacionada a problemas acadêmicos, problemas de ordem sexual, abuso de drogas, desordens de conduta, transtornos de ansiedade, déficit de atenção, pânico, desordens alimentares entre outros (Sadler, 1991), podendo ser considerada um transtorno com altos níveis de comorbidade, ou seja, outros transtornos associados (Biederman, Faraone, Mick e Lelon, 1995).
A importância de se estudar a depressão em crianças e adolescentes é fundamental devido à possibilidade de evitar o desenvolvimento de maiores problemas ou transtornos futuros em fases posteriores, incluindo até mesmo o suicídio (Baptista e Assumpção, 1999 pp. 79-80). As crianças ou adolescentes que foram diagnosticadas como depressivas têm maior probabilidade de apresentarem transtornos de humor, e serem hospitalizadas em enfermarias psiquiátricas quando adultos. (Lewinsohn, Hops, Roberts, Seeley e Andrews, 1993; Harrington, Fudge, Rutter, Pickles e Hill 1990; Weissman, Wolk, Goldstein, Moreau, Adams, Greenwald, Klier, Ryan, Dahl e Wickramaratne, 1999).

Prevalência de Depressão em Adolescentes
A ocorrência dos transtornos depressivos é discutível, havendo grandes variações quanto a possível porcentagem de prevalência na população, bem como entre os sexos. Em relação a estas variações, pode-se citar também a diversificação de metodologia aplicada às pesquisas, bem como a dificuldade de padronização dos vários tipos de transtornos depressivos, além disto, a existência de diversas nomenclaturas (transtorno depressivo maior, transtorno distímico, episódio depressivo maior etc.) e graus (depressão leve, moderada e grave) acabam por dificultar números mais exatos em relação à prevalência de depressão na população em geral.
Para Kaplan e Sadock (1993), a prevalência de depressão na população dos Estados Unidos é de 3 a 5%, porém o risco de depressão ao longo da vida é de 3 a 12% para os homens e 20 a 26% para as mulheres. A prevalência de transtornos afetivos em adolescentes é de aproximadamente 5% e, as mulheres são, em média, duas vezes mais afetadas que os homens, a partir da adolescência.
Chartier e Lassen (1994) encontraram em uma amostra de 792 crianças e adolescentes, 8,3% de prevalência de depressão moderada, através da aplicação do Inventário de Depressão Infantil (CDI). Fleming, Offord e Boyle (1989) encontraram, em uma amostra de 2852 crianças e adolescentes, três resultados em relação à severidade de sintomas de depressão, de acordo com o DSM III. No grupo com alto grau de severidade foi encontrado a porcentagem de 1.8% de adolescentes; no grupo com severidade média obteve-se 7.8% e, no grupo com severidade baixa, 43.9%. Vale ressaltar que em relação à variável sexo, somente houve variação significante no grupo de baixa severidade, ou seja, as mulheres como sendo mais atingidas.
Bird, Canino, Rubio-Stipec, Gould, Ribera, Sesman, Woodburry, Huertas-Goldmam, Pagan, Sanches-Lacay e Moscoso (1988), pesqui

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